A Magia da Imagem (2001)


Curso de Mestrado em Arte Multimédia
Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto

tese – A Magia da Imagem

Dissertação realizada sob a supervisão do Professor Doutor Bernardo Pinto de Almeida, Professor Associado da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto

Outubro de 2000, concluído aos 21 de março de 2001 - ‘muito bom’

Resumo
A adesão ao Curso de Mestrado em Arte Multimédia que sustenta esta ‘dissertação’ implicou, no quadro geral das preocupações artísticas pessoais como produtor de arte, o enfrentamento do conjunto de questões que constituem a teia deste trabalho, assumidamente de reflexão intimista e globalizante.
Durante séculos os ocidentais ignoraram e desprezaram as culturas que lhes eram
exteriores. No presente a força comunicacional decorrente da globalização do mercado, tende a fundir numa matriz cultural universal as diversidades identitárias, que se desterritorializam.
São tempos que geram desenvolvimento e progresso, utilizadores de avanços tecnológicos e comunicacionais inesperados, mas que não deixam de ampliar as desigualdades e normalizar a aceitação da exclusão.
Que transformações de linguagem e de conceitos produzem as tecnologias que tornam o virtual mais real que a realidade? Que espaço ocupam as artes num tecido social onde o excesso da imagem produz a sua própria anulação? Que eco repercute no interior de um artista a realidade envolvente?
Esta dissertação, utilizando a metáfora do canibalismo e encontrando argumentos no ‘Movimento Antropófago’ brasileiro e em experiências vivenciais de intercâmbio cultural, procura encontrar respostas para as interrogações anteriormente proferidas.

Abstract
The commitment to the Master’s course in Multimedia Art that this dissertation is part of, necessitated, in the context of my personal artistic concerns as an art producer, facing up to questions that I believe to be of universal importance and interest.
Westerners have for centuries ignored and disparaged all cultures which were foreign to them. At present the communicational strength brought about by the globalisation is tending to blend into one universal cultural matrix, with the loss of all identifying diversities. There are times when development and progress are made. Users of technological innovation and communicational improvement serve to widen inequalities and normalise the acceptance of exclusion.
What language and conceptual changes are produced by these technologies which make the virtual more real than reality itself? What space do arts occupy in a social fabric in which the excess of image produces its own annulment? What vibrations echo in an artist’s soul at the look of reality?
This dissertation, using the metaphor of cannibalism and arguments from the Brazilian “Anthropophagic Movement” as well as from lived experiences of cultural exchange, tries to find out the answers to these questions.