2017 — por uma ‘investigação’ implicada no comum, ou a urgência dos pesquisadores arriscarem a se deslocar para fora de si…

por uma ‘investigação’ implicada no comum, ou a urgência dos pesquisadores arriscarem a se deslocar para fora de si…” José Carlos de Paiva. comunicação.
III ENCONTRO INTERNACIONAL DE JOVENS INVESTIGADORES (EDIÇÃO BRASIL) Fortaleza-CE, 2017.
 
resumo:

José Carlos de Paiva

Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto/ Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (i2ADS)

por uma ‘investigação’ implicada no comum, ou a urgência dos pesquisadores arriscarem a se deslocar para fora de si…

A comunicação pretende apresentar o palestrante, pela voz do seu corpo e por um conjunto de imagens de referência, na nudez da sua fragilidade e de sua impotência perante o rumo trágico que no século XXI, onde a política hegemónica de salvaguarda da ganância financeira, afasta os povos, os pobres e os excluídos da possibilidade de desfrutarem em liberdade das suas vidas, do seu território e dos seus destinos.

A partir do posicionamento frontal da sua linguagem, construída ao longo de uma vida de professor universitário e investigador, de artista plástico e de interventor intercultural, defende-se uma vinculação da pesquisa a uma permanente e profunda  procura de entendimento crítico perante o ‘estado da arte’, perante o ‘estado do mundo’, que lhe confira possibilidades de se desvincular do encerramento do futuro, para um ‘aberto’, renovado, transformador das injustiças.

Entende-se que esta vinculação da pesquisa a uma intervenção crítica radical, terá de saber romper as amarras que os dispositivos de poder exercem sobre os jovens, sobre os estudantes, mesmo sobre os professores, e terá de superar os modos subtis e ardilosos como as universidades tendem a defender o saber já reconhecido, os métodos congelados, e a promover a reprodução dos contextos sócio-políticos vigentes, e no sentido diferenciado a ousar o novo, a arriscar o desconhecido.

O que se apresenta, de uma vinculação crítica ao existente e de uma desobediência ao estabelecido, de um posicionamento desconfortável e audaz, precisa de corresponder a uma capacidade para cada um dos pesquisadores se deslocar para fora de si, para uma abertura a um posicionamento ouvinte, à aceitação do agonismo como terreno pleno da democracia. 

Que a construção de si, em cada pesquisador, corresponda a uma construção de sentido da sua experiência, entendida enquanto sendo, sempre, pertença do comum.